TOBI
Enquanto guri não tive cachorros. Não consigo me lembrar porque. Duvido que me tivessem proibido seu eu tivesse pedido. O primeiro que entrou em minha vida acredito foi um presente de um amigo. Depois vieram outros e outros. Com nossas filhas pequenas um cão andava sempre por perto. Numa certa ocasião tive vários. O espaço em que tinha meu atelier era grande e eu gostava, me sentia bem vendo-o povoado por cães que tinham seus locais. Inclusive uma cadela dentro de casa, escolhida pela nossa neta Bárbara num canil municipal. O Tobi chegou filhote recém desmamado. Não lembro mais a data, mas acredito que já fazem bem mais de doze anos. Está conosco até hoje e estou falando nele, pois está aqui ao meu lado, deitado descansando. Está sempre por perto. Não entra em casa. No meu atelier sim. Entra e sai quando quer. Em casa, quando já faz algum tempo que não nos vê, vai entrando de mansinho, olhando pro lado como quem não quer nada e se deita. Logo avança mais um pouco até chegar junto onde estamos. Jamais num tapete, que ele próprio é um. Pastor alemão cruza com collie, tem a cor de um leão, porte altivo e pelos longos. Quanto volta de banhos regulares, o pelo brilha. Sinto-me bem em te-lo por perto e sinto que a recíproca é verdadeira. Gosta de gente. Está sempre perto de alguém se eu não estiver. É bom enxergá-lo pela manhã quando o alimento e aos pássaros. Tobi. Vai fazer falta no dia em que partir. Até lá é prazeroso saber que gosta do lugar em que vivemos
RICARDO garopaba BLAUTH
