Vi há poucos dias um filme animação que utilizou todo potencial tecnológico hoje disponível para fazer cinema. Cinéfilos como eu ficam fascinados com as diferenças do que inicialmente era conhecido como desenhos animados, pequenos curtas que algumas vezes antecediam o filme em cartaz.
O personagem principal, um velho viúvo solitário descobre em si próprio a capacidade de recuperar sua vida e seus sonhos. Sua casa que dividiu com a esposa também aventureira estava desaparecendo cercado pelos edifícios que lhe roubavam os horizontes.
Ele se renova, descobre que o real está dentro de si próprio e não fora, tornando-se então o que é, um homem pratico que apesar de andar nas nuvens, resolve que somente através da ação encontrará o caminho da verdade.
O professor de lingüística da UFSC, Heron Moura, traz a tona os pensamentos e escritos do filósofo americano Emerson (1803-1882) quando faz com que o personagem principal do filme se dê conta que se está perdendo sua privacidade decide subir aos céus levando junto sua casa já que o ar não pertence a ninguém. Qual poeta sonha em levar sua casa e vida a novas aventuras e o faz descobrindo um mundo novo dentro de si mesmo.
Mudanças e conseqüentemente o rejuvenescimento é lutarmos, como ensinava o filósofo Emerson “ contra a banalização e o conformismo”.
A cena em que os vizinhos vêem espantados os telhados da velha casa inexpressiva naquele maciço urbano, se abrir e de lá saírem milhares de balões coloridos que elevam a casa.
A engenhosidade do velho Carl, este o nome do personagem principal conduz a casa para longe com engenhocas dignas dum professor Pardal.
O filme segue cheio de “mensagens” que os atentos saberão ver e interpretar.
Mas o essencial está lá. Não se banalizar, não se conformar e saber o seu querer e ir.
RICARDO garopaba BLAUTH
