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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SINTO SAUDADES

O ano corria para o fim. Faltavam poucas horas para que se gritasse “seja bem vindo noventa e quatro”. Fazia cerca de sete meses que começáramos a construir a primeira casa em Garopaba. No topo Morro da Vigia. A construção ia pela metade quando resolvemos começar a segunda casa, para aproveitar a bagunça que é o canteiro de uma obra sendo construída com grande rapidez. Era cinco da tarde do dia trinta e um do ano noventa um de nove três do século passado. Estava pregando um último prego e vi chegando os últimos convidados das gurias pois a “casa dois” que estava sendo terminada era para elas e seus amigos. A alegria me envolvia por inteiro pois teria um “mundo de gente criativa e artista” me cercando, com cada um cuidando da sua vida. Os primeiros convidados eram uma comunidade musicista e artista onde a simplicidade rolava solta. Logo estavam preparando tudo para a meia noite. Pessoas heterogêneas se reuniram numa casa que quatro meses antes só existia em sonhos. Nem projeto existia então para a mesma, só a vontade de um dia à realizar. Agora ali estavam um grupo alegre e homogêneo em ideais e simplicidades autenticas. Sinto saudades da saudável bagunça e ruídos de gente curtindo o momento cada um a seu modo. Senti-me um rei proporcionando um “castelo temporário” para férias junto aos mares de Garopaba. Vibrava com nossas três gurias, seus amigos e a Bárbara com cerca de dois anos correndo entre aquele bando de adultos com suas fraldas sacudindo na bunda. O jardim incompleto, a rua ainda inexistente, a pintura externa que não houve tempo de fazer, nada disto estava sendo reparado. O que estava no ar era a “energia” de jovens aproveitando a oportunidade de serem o que eram. Felizes “fazedores de arte em São Paulo e Rio Grande do Sul” que tinham alguns dias para curtir a casa dos pais da Nina, Bala e Sofi, mãe da Bárbara. O clima era de uma festa “baguçadamente organizada”. No meio da turma um compositor nacionalmente conhecido, criador da banda só de mulheres, “As Orquídeas”. Reinava com seu carisma irresistível. Itamar Assumpção, sempre sonhando novas composições. Ricky com suas “pernas de pau” descendo com elas até a praia causando espanto. Táta, Miriam e Joça ( seu namorado da época) e a graça do “Foquinha”, Clara (baixista das Orquídeas) e Sergio (hoje seu marido), Eli, Lú Paiva, mais Paula e Peti. Somavam com Bubi Alles (auto denominado poeta), além do Dimas sempre falante e otimista. Uma turma divertida que cuidava da sua própria alimentação e necessidades. Nós da “casa grande” éramos eternos convidados de seus almoços/jantares e permanentes “tertúlias musicais”. Sinto saudades. Estes momentos estão separados na minha mente em “arquivo especial” e fazem parte da enorme colcha de retalhos de felicidades que vai me abrigar no futuro.

RICARDO garopaba BLAUTH