HOJE TEM JOGO
Tudo para. Os que ainda andam o fazem com pressa. A ansiedade está no ar. Cada um sente dentro de si alguma coisa que não consegue definir. A sensação, creio, existe para todos, pois parece que o mundo parou. Porque hoje tem jogo. Nada que vá mudar muita coisa, mas hoje tem jogo. Mesmo os que não gostam têm que se render. Porque hoje tem jogo. De quatro em quatro anos o mundo fica parado em frente a televisões e rádios. A medida da que a competição avança “as paradas” são cada vez maiores e hoje tem jogo.
No mundo todo se joga. É simples, uma bola seja do que for e duas turmas, chutando aquilo com os pés pois não vale botar a mão. Cada turma numa direção. Em pontos opostos foram colocadas “goleiras” feitas com duas pedras ou os sapatos de alguém marcando o espaço. Nos lugares mais organizados, dois paus são cravados no chão e um terceiro atravessado por cima. Antes de começar dois, entre os que não sabem correr, são mandados ficar debaixo dos paus para tentar evitar que a redonda não entre. Pra esses é dada permissão de usar as mãos para fazer o que devem. Pronto, é só isso. Um monte de gente correndo, chutando, empurrando e sendo derrubados. Cada turma numa direção tentando colocar a bola atrás do cara que ficou na “goleira”. Com o tempo organizam-se competições, as turmas dum local jogando com outros. Campeonatos e diretorias são formados e quando se vê a coisa é mundial. Não importa aonde se vá, todos sabem o que é uma bola, brinquedo lúdico para qualquer um que a alegria brilhar nos olhos dos que jogam e nos dos que assistem “torcendo” pra sua turma.
Hoje tem jogo. As regras dizem que as turmas são de onze e os jogadores representam países. O premio final é uma taça e a glória de poder levantá-la no ar e ficar de posse da mesma por quatro anos, quando acontece tudo novamente. Hoje tem jogo e nosso pais está lá com todos daqui só pensando nisso. Hoje tem jogo e resto à gente vê depois, porque hoje tem jogo.
RICARDO garopaba BLAUTH

